Gabaskallás, Fabiana (1966) - Brasil.
Vive e trabalha em São Paulo, Brasil.
Formada em Medicina em 1989, especializou-se em Cirurgia de Trauma e Endoscopia. Mudou-se para Rochester, NY, para complementar a formação médica, entre 1996 e 1998. Durante este período, iniciou sua trajetória artística, frequentando cursos de fotografia no Instituto de Tecnologia de Rochester e na George Eastman House. Posteriormente, passou a frequentar estúdios de pintores e artistas plásticos, nos Estados Unidos e Brasil. As primeiras pinturas surgiram neste período. Desde então, têm incorporado a interdisciplinaridade entre história, ciências e artes. Possui trabalhos em acervos privados e institucionais no Brasil, Estados Unidos, Portugal, Alemanha, Holanda e Inglaterra.
A história da medicina no Brasil colonial apresenta uma profusão de registros paralelos, quase nunca contados nas escolas médicas.
Durante sua pesquisa sobre o primeiro tratado médico escrito para o território brasileiro, Gabaskallás teve acesso a documentos antigos, teses universitárias, bem como a livros de historiadores dedicados a estes registros. Pinturas de sua série recente retratam a Mata Atlântica brasileira, com as plantas, raízes e frutos que deram origem à farmacopeia nativa original, proposta para o tratamento de doenças tropicais relatadas pelos colonizadores.
Em seu estúdio, Gabaskallás pinta telas de grandes dimensões. Usando pinceladas sobrepostas ou camadas espessas de tinta, a superfície da tela se torna um emaranhado de diferentes ângulos e profundidades que capturam a complexidade da floresta. Esta, ela imagina, foi a primeira paisagem avistada pelos navegadores que desembarcaram em solo brasileiro em 1500.
Muitos artistas alemães, holandeses e franceses tiveram a difícil tarefa de capturar essa exuberante luminosidade tropical com suas paletas de cores europeias. A paisagem solar não fazia parte do repertório desses artistas. A tradução visual da nossa floresta se deu a partir dessas limitações cromáticas.
Para Gabaskallás, o papel da pintura como repositório histórico do tempo é inegável, como uma ponte desejável entre o passado e o futuro. Assim, ela propõe um novo registro dessas paisagens brasileiras, com as cores do século XXI e com um olhar local, não estrangeiro.